Príncipe Harry posa de rico pobre em ‘O que Sobra’ – 10/01/2023 – Ilustrado

Em uma das passagens mais citadas de “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, uma raposinha sugere que uma pessoa é responsável pelo que ela pega. Ou difícil é isso ou príncipe harry Do Reino Unido, 38 anos, não sou cativado por muitas pessoas.

A publicação de seu livro de memórias “O que Sobra”, nas livrarias nesta terça-feira (10), é mais uma tentativa de lidar com a tragédia de um pobre rico. Mas é improvável que o leitor – que não nasceu em uma poderosa família real – se emocione muito.

Não que a história não tenha passagens muito tristes — incluindo a morte de sua mãe, Diana, quando Harry tinha apenas 12 anos, e a subsequente sensacionalização de seu luto.

É que o elemento organizador do livro é a ideia de que Harry sofreu por ser sempre uma peça sobressalente, uma reserva. Ele é hoje ou quinto na linha de sucessão, depois de seu irmão mais velho, William. O título original, “Spare”, deixa isso claro. É um aceno à frase que diz “o herdeiro e o sobressalente”. Ou seja: “o herdeiro e o que sobra”.

O livro vai para o Brasil pela Objective no mesmo dia do resto do globo. A ideia foi um lançamento mundial. A obra foi vendida acidentalmente na Espanha há alguns dias, porém, e os principais trechos foram para a gráfica. Eu perdi um pouco para a graça.

A ironia de tudo é que mesmo quando chegar às prateleiras, e mesmo com tanto mais vontade em relação ao príncipe Harry, “O que Sobra” vai vender horrores. No momento em que esta resenha foi escrita, o livro já ocupava o terceiro lugar na Amazônia brasileira na categoria “memórias”. A segunda foi “O Príncipe”, de Maquiavel.

Culpemos, se quisermos, a indústria cultural, descrita por Theodor Adorno e Max Horkheimer em um clássico da teoria da comunicação. Tudo vira um bem cultural, no estilo da produção. Mais ou menos, há um apetite voraz — até comprovado pela publicação deste texto — por um semi-fim de fatos sobre a família real britânica.

De forma polêmica, Harry segue os passos de sua mãe, Diana, que causou furor ao se separar do então príncipe Charles, agora rei. Harry estava sozinho e se divorciou de toda a família. Saindo do palácio, ele se mudou para os Estados Unidos com a esposa, Meghan Markle, em 2020. Eles abrirão funções mais do que reais. No livro, ele descreve o êxodo como um modo de preservar a “sanidade e integração física” do casal.

Harry justifica o livro em si como uma oportunidade de dar o seu lado da história toda a história. Mas é o que ele tem feito há anos, em entrevistas. The Ruinous Prince acaba de lançar ou Documentário “Harry & Meghan” na Netflix, com seis horas de ataques em família, estendidas agora no livro.

Diana é quase a protagonista da obra, como não poderia deixar de ser. Harry dedica ou envia uma mensagem para ela. Já no primeiro capítulo, el te conta como sube da morte da mãe. Ainda mais triste, ele contou como pensou por muito tempo que Diana estava fingindo sua morte. Harry chegou a desconfiar depois de receber, por herança, uma mecha de cabelo cortada do cadáver de sua mãe, falecida em Paris em agosto de 1997.

Entre as passagens que mais chamam a atenção —e foram esvaziadas e desvendadas nos últimos dias— está a história de que Harry matou 25 pessoas não afeganistãs durante o serviço militar. Uma revelação é um risco descuidado, desconfortável e desnecessário. A organização radical Talibã nunca viu o público condenar o príncipe.

Outra história marcante é que seu irmão, William, bateu nele. Segundo Harry, a briga aconteceu em 2019 dentro de sua residência no Kensington Palace. William chamou Meghan, a esposa do príncipe, de “difícil” e “rude”. Na versão do livro, william empurrou atormentar, que caiu em cima da tigela das suas bengalas. O detalhe da poção alimentar, nada resta quebrado, é um detalhe bastante inesperado e patético.

Harry também culpa o Ironman, o que é chamado de “arqui-inimito”, por aquele que é seu episódio mais polêmico: decisão de se vestir como nazista em 2005. Segundo livro, William e Kate Middleton, sua então amante, apoiarão a escola de fantasia.

Há algumas revelações com menos impacto, mas com algum sabor, como a história de Harry perdendo a virgindade com uma mulher mais velha há 17 anos em um pub. oh príncipe Ele também me disse que usava cocaína quando você tem essa mesma identidade.

Sobre o Brasil, há um caso insuspeito. Harry conta que foi ao interior arrecadar fundos para uma ONG quando viu um jogador cair. “Pulei do cavalo, corri amarrado no rosto e coloquei a língua para fora. Tossi, voltei a respirar”, diz ele, o herói de sua própria história.

O texto é algumas peças. Nas primeiras páginas, Harry diz que “aqui era verde, mas as tulipas brotavam” e que “a luz era pálida, mas o lago era vermelho, que serpenteava pelos jardins, brilhava”. Mas há flashes de criatividade, como a parte em que Harry diz que uma colina na Escócia foi “mordida por veados”. Mais adiante, ele sugere que as pernas do beija-flor eram finas como cílios.

Há também alguma mordida principesca, que pode ser acidental. Para descrer do irmão, por exemplo, Harry menciona sua “alarmante calvície”, que, a não ser por uma convicção estética, também não deveria alarmar tanto um príncipe.

O livro é enriquecido, sobretudo, com detalhes inusitados que nos ajudam a imaginar a vida de um príncipe entre todos os seus privilégios luminosos e opacos. É uma vida que poucos temem.

Harry conta, de repente, que seu pai, Charles, estava deitado de ponta cabeça vestindo uma cueca samba-canção para aliviar as duas crônicas nas costas. Ele também conta a ela que em sua escola os alunos circuncidados eram apelidados de “cabeças redondas” e que, como matronas, lavávamos os meninos “devagar e voluptuosamente”. Harry ainda narra, e voluntariamente, como seu pênis congelado em uma viagem ao Pólo Norte.

Não está claro, por mais de 500 páginas, qual é o objetivo do livro. Reconectar com meu pai e irmão, talvez. Mais críticas de Harry são apenas difíceis. Sua madrasta Camilla chega a sugerir que ele sempre quis o trono, uma dura acusação. Talvez o príncipe queira reformar a monarquia. Só que acaba por minar a instituição, descartando-a como elitista e racista, formada por pessoas frias e sem empatia.

Essas contradições podem estar na chave de leitura, não no final dos relatos. O que resta a Harry é encontrar uma maneira de navegar por sua identidade – ele não é uma peça substituta, ele é como um príncipe sem principado.

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