Por que ainda persiste a polêmica discussão sobre eSports ser um esporte

UMA ministro dos esportes Eu não governo Lula, Ana Moser, Afirmei, em entrevista ao OUOLo que você faz eSports, também chamados de esportes eletrônicos, não devem ser considerados esportes, mas sim “indústria do entretenimento”. É a primeira vez que o novo governo se manifesta sobre o assunto e deixa claro um posicionamento de que o macarrão não deve ser investido nos próximos anos.

“O esporte eletrônico é uma indústria de entretenimento, não é esporte. ‘Ah, mais ou trinta pessoas para fazer isso’. Ela está na casa dos trinta, além de artista, assim como a Ivete Sangalo, ela também está na casa dos trinta para dar show”, afirmou o ministro. Em discurso próprio, feito na semana passada, Ana defendeu o afastamento do macarrão como fonte de renda, para focar em políticas públicas.

Ana Moser classificou os eSports como
Ana Moser classificou os eSports como “entretenimento”, em entrevista após assumir o cargo de ministra-chefe dos Esportes. Foto: Ronaldo Caldas/ME

As idéias do ministro expressas nesta terça, quanto ao tema dois eSports, retomamos uma questão que é discutida no meio esportivo: o que é o esporte e quais os motivos para que esses dois jogos eletrônicos sejam – ou não – classificados como tal. Utilizadores, proplayers e participantes do cenário rejeitam a visão do ministro das redes sociais.

“Exatamente isso é o que você lê. Os eSports são parecidos com um show da Ivete Sangalo porque ela também treina para o show”, escreveu. Nicolle Merhy, fundadora da Black Dragons, organização brasileira de eSports, em seu Twitter. “Seria importante não diminuir algo que eu não conheço.”

Não há uma definição clara e definitiva do assunto. No dicionário Michaelis, como substantivo masculino, ele diz que a palavra é considerada “prática metódica de exercícios físicos voltada para a preguiça ou condicionamento do corpo e da saúde; esporte, esporte O conjunto de atividades físicas ou jogos que exijam habilidade, que obedeçam a regras específicas e que sejam praticados individualmente ou em equipe; esporte, esporte Cada uma dessas atividades; esporte, esporte Atividades de lazer ou entretenimento; passatempo, passatempo.”

O dicionário Aurélio na edição de 2008 diz que “esporte” significa ou “juntar dois exercícios físicos praticados com método, individualmente ou em equipe; esporte, esporte Qualquer um dá. entretenimento”.

Ary Rocco Jr., professor não doutor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) esclarece dúvidas sobre o tema, mas tende a concordar com as visões do ministro. “Uma série de fatores que diferenciam o esporte de qualquer jogo. ele (esporte) É caracterizada por um conjunto de regras, universalmente aceitas, e por um sistema esportivo institucionalizado e mundial, como COI, federações, confederações e assim por diante”, afirma.

A definição do que é esporte não é unanimidade no meio acadêmico.
A definição do que é esporte não é unanimidade no meio acadêmico. Foto: Elias Nouvelage/AFP

“Não Brasil, existe uma Confederação Brasileira de eSports, mas não faz parte do sistema olímpico. Está isolado”, destaca o professor. Ana Moser participou, no ano passado, das discussões para a aprovação do texto básico da Lei Geral do Esporte (PL 1.153/2019), especialmente para garantir que o conceito de esporte não se torne tão amplo, a ponto de poder incluem eSports.

“O esporte tem várias dimensões: recreativa, educacional, performática, entre muitas outras”, explica Rocco. “Os eSports estão caminhando para, eu vejo, essa generalização entre dois conceitos, dois esportes, aliás, é um conceito muito amplo.”

Os jogos eletrônicos, além de não terem uma regra universal, como futebol, basquete e vôlei, encontram dificuldades na implementação de um sistema regido por organizações ao redor do mundo. Existem várias esferas não eSports: jogos de estratégia, ação, simulação, etc. “Estar fora do sistema olímpico é um obstáculo para ele escolher o petróleo como esporte”, diz o professor.

Nesse quesito, o eSports se assemelha a outras modalidades, como xadrez e damas, onde não há um treinamento físico intenso para dois atletas, mas sem foco no desenvolvimento mental. “Alguns autores classificam isso no campo dos ‘esportes da mente’. Nisso, há uma clara melhora na capacidade de raciocínio e agilidade no pensamento”, explica Rocco.

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O Xadrez é uma das modalidades classificadas como
O Xadrez é uma das modalidades classificadas como “esportes da mente”. Foto: Márcio Fernandes/AE

Ou que diferença ou xadrez, por exemplo, duas partidas, e essa “universalidade” dá modalidade, aponta ou professor. Apesar de ainda não ser considerado um esporte olímpico, existem organizações e federações internacionais, nacionais e internacionais, reconhecidas. “A Confederação Brasileira de Xadrez é reconhecida pelo COB, mas faz muito tempo que não é um esporte olímpico.”

Outro aspecto a ser considerado é que os eSports tradicionais, como Fifa, Counter Strike, League of Legends, entre outros, estão vinculados a uma empresa – EA Sports, Valve e Riot, respectivamente. “A única diferença (dois eSports) para os esportes tradicionais é a questão da propriedade intelectual, que fica claramente definida pelo desenvolvimento dos dois jogos, algo que não ocorre nos esportes tradicionais, já que as modalidades são de domínio público”, diz Pedro Oliveira, CEO e co-fundador da OutField, empresa de investimento em esports e games.

“No entanto, ou argumento (dá Ana Moser) que não haja aleatoriedade ou que o sistema seja datado não faz sentido, uma vez que os próprios jogos possuem infinitas combinações, resultado de variações programadas no jogo”, explica.

Mesmo não sendo considerados esportes unanimemente, os atletas de dois jogos eletrônicos – ou pro players – passam por rotinas de treinos tão desgastantes quanto esses dois “esportes raiz”, termo usado por Ana Moser em entrevista ao UOL. Há uma disputa de competições internacionais, que reúnem milhares de tocedores e fãs, e passam por oito ou até mais horas de treino diário.

As competições de eSports reúnem milhares de fãs, em todo o mundo.
As competições de eSports reúnem milhares de fãs, em todo o mundo. Foto: Jason Henry/The New York Times

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A popularidade dos eSports resulta em mudanças nas organizações socioculturais do esporte universitário. Em junho de 2014, a Robert Morris University, em Pittsburgh, Estados Unidos, tornou-se a primeira a reconhecer os jogos eletrônicos como esporte e oferecer bolsas de estudo para seus atletas. No ano passado, Matheus Montenegro, de 20 anos, ganhou 28 bolsas em duas universidades dos Estados Unidos por meio de suas habilidades em Fortnite, jogos multiplayer e febre entre os mais jovens.

A Câmara e o Senado brasileiros têm projetos de lei em tramitação sobre a regulamentação dos esportes eletrônicos no País, como o PLS 383/2017que define “como esporte as atividades que, valendo-se de aparelhos eletrônicos, caracterizam a competição de dois ou mais participantes, não um sistema de promoção e descida mista em competição”. Na Paraíba, à Lei 11.296/2019 Foi a primeira a regulamentar os esportes eletrônicos na região.

Bruno Maia, CEO da Feel The Match, executivo de inovação esportiva e ex-vice-presidente de marketing basco, destaca que o eSports não precisa legitimar dois esportes olímpicos para se firmar em um cenário global. “Os atletas (dos eSports) não precisam de legitimidade para serem o que são, ou o que dizem, um fenômeno econômico e cultural de maior relevância.” O executivo considera um erro, no equívoco do ministro, separar o esporte do entretenimento. “Nas visões mais modernas de criação de estratégias de crescimento, a indústria do esporte é considerada parte da indústria do entretenimento e se beneficia disso. A palavra do Ministro separa as duas coisas. Isso é um retraso”, afirma.

“A diferença revela desconhecimento ou rejeição de algo importante se quisermos pensar na evolução, inovação e geração de receitas que permitam ao esporte cumprir o potencial que ele é capaz de oferecer”, completa.

As discussões para a inclusão de dois eSports nos Jogos Olímpicos, na organização do COB e do COI, já duram anos. Em 2022, James Macleod, diretor de Relações com os Comitês Olímpicos Nacionais e Solidariedade Olímpica, afirmou Folha que os eSports não estão descartados para entrar no ciclo olímpico nos próximos anos. Enquanto isso, jogos tradicionais, como League of Legends e Counter Strike, não são possíveis.

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“O COI reconhece que a indústria de jogos está em constante evolução. Estamos ansiosos por estes jogos que estão ligados ao desporto e onde há atividade física. No ano passado, lançamos a Série Olímpica Virtual. Vela, ciclismo… Tudo apoiado por federações internacionais. Podemos ver os números e a demografia”, afirmou. Paulo Wanderley, presidente do COB, já se manifestou contra a ideia de incluir os jogos nas disputas olímpicas em uma entidade.

COI discute a implementação dos eSports como esporte olímpico.
COI discute a implementação dos eSports como esporte olímpico. Foto: Phil Noble/Reuters

No ano passado, o COI anunciou que Cingapura sediaria, em 2023, para Semana Olímpica de eSports, em modalidades que promovem atividades físicas, como Beisebol e Ciclismo Virtual. Em setembro de 2022, os Jogos Olímpicos Asiáticos vão um passo além, com outras modalidades de esportes eletrônicos com distribuição de medalhas, como League of Legends e Fifa.

Investimentos do Ministério

A posição do ministro sobre a relação entre eSports e investimentos do governo delimita a visão do governo sobre o assunto. Além de ter participado das discussões do texto básico da Lei Geral do Esporte no ano passado, Ana Moser defende que as políticas públicas devem focar no esporte no País, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos.

Antes de o Ministério do Esporte se tornar secretário especial do suco do Ministério da Cidadania durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), os investimentos de dinheiro vão se concentrar, em especial, no “esporte de renda”. Nas últimas décadas, o Brasil sediou três eventos esportivos, sendo dois mundiais: os Jogos Pan-Americanos em 2007, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Durante a campanha presidencial, Lula (PT) assumiu o compromisso de recriar o caso da elite. Segundo Ana Moser, ela foi contratada pelo PT para fazer uma “revolução” na área, incentivando o esporte à educação, saúde e assistência social, para que mais pessoas se beneficiem da prática esportiva de todas as formas possíveis. O desenvolvimento do esporte amador também está na pauta.

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Ao sediar os Jogos Olímpicos, ou os Jogos Pan-Americanos e a Copa do Mundo, o Ministério do Esporte brasileiro tem investigado o esporte de rendimento nas últimas décadas.
Ao sediar os Jogos Olímpicos, ou os Jogos Pan-Americanos e a Copa do Mundo, o Ministério do Esporte brasileiro tem investigado o esporte de rendimento nas últimas décadas. Foto: Charles Dharapak/AFP

Outra preocupação com a massa é uma questão de saúde pública. O Relatório Global 2021, produzido por agências da ONU, afirmou que mais de 2,3 bilhões de pessoas não terão acesso a alimentos saudáveis ​​em 2020. Estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que até 2025 o número de crianças obesas que nenhum planeta verifica 75 milhão.

“Um dois problemas devido à pandemia e ao sedentarismo. O benefício que esses esportes, defendidos pelo ministro, surgem do ponto de vista das políticas públicas. A gente vai mexer o corpo e se socializar”, pontua o professor. “Ajuda a combater problemas de saúde relacionados com a obesidade infantil.” Isso justificaria os investimentos, defendidos por Ana Moser em seus primeiros discursos à frente da massa.

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