Nobel vende 20 mil livros no Brasil e vai para a Flip – Cultura

Walter Porto/Folhapress e AFP
Em uma jaqueta preta, Annie Ernaux fica como m
Annie Ernaux veio ao Brasil só para ver, como convidada da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Acima, ela conversa com o impressor sobre sua vitrine, na sede da editora Gallimard, em Paris (foto: JULIEN DE ROSA/AFP)

À “coragem e acuidade clínica que revela as raízes, os estranhamentos e os constrangimentos coletivos ligados à memória pessoal”, segundo a Academia Sueca, a valorem francesa Annie Ernaux, 82, ou Prêmio Nobel de Literatura deste ano, anunciou na quinta feira (6/10).

A Editora Fsforo publica os livros do autor no Brasil desde o ano passado e trará o país como a maior presença confirmada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no próximo.

Ernaux considerado um pioneiro no estilo do autofico, um tipo de literatura cada vez mais difundido em todo o mundo e agora consagrado pelo Prêmio Nobel. A leitura da obra francesa está sendo promovida por títulos cada vez mais populares, como “O lugar”, “Os anos” e “O acontecimento”.

Seus livros contêm histórias autobiográficas ao mesmo tempo em que refletem sobre o contexto social em que são escritos – Ernaux é filho de um comerciante pobre do interior da França e saiu de casa para estudar letras e tornar-se professor da Universidade de Rouen – e sobre o próprio processo de virar sua vida para memórias vasculhar.

São trabalhos que pretendem não se limitar entre o físico e a história documental, investigando onde as membranas de alguns de nós confiam na narrativa – ou o quanto podem trazer seus autores ou enfrentá-los para corrigi-los.

para etnólogo

No discurso que decidi anunciar, a Academia Sueca citou uma das mais famosas autodefinições da escritora, que dizia que, em vez de ser uma autora de ficção, era uma “etnóloga de si mesma”, celebrando sua capacidade de misturar experiências pessoais e coletivas.

A estreia de Ernaux nas prateleiras do pas foi editada pela Trs Estrelas, com “Os anos”, o mais completo livro aqui publicado por um autor que merece ser conciso.

Uma obra virada nas lojas com a abertura da Phosphorus – a francesa esteve na primeira leva de públicos da então principal editora –, que trouxe “O lugar” quase em simultâneo e, este ano, também publicou “O acontecimento” e “Uma vergonha” .

Antes de Flip, ela planeja escrever “O jovem”, o livro mais recente da autora, no qual narra um caso com um homem de 30 anos.

“Ernaux teve uma época estrangeira muito boa quando a compramos”, diz a editora Rita Mattar, scia de Fernanda Diamant na Fsforo e responsável pela edição do francês nas duas editoras. “Foi-me dito por outros editores estrangeiros e senti que revelei muita sensibilidade brasileira, no que diz respeito à ascensão social através do estudo.”

A batida do coração de Mattar foi confirmada “razoavelmente eu desisto”, segundo ela, que vendeu quase 20 mil exemplares de livros físicos e virtuais do autor – ou o mais popular agora “O lugar”. O plano da Fósforo publicará a obra completa de Ernaux nos próximos anos.

“Uma linguagem que não é muito sentimental, mais ou menos mexe muito com as pessoas, que sabem como eu as vejo e as vejo.

“O acontecimento” também teve impacto como obra cinematográfica. A adaptação dirigida pela francesa Audrey Diwan foi premiada com o Leão de Ouro no Festival de Veneza e passou nos cinemas brasileiros em junho, com estreia no Festival Varilux.

O livro remixa tabus sem fazer concessões, para narrar um aborto ilegal realizado por uma escritora quando era uma jovem universitária. Um trabalho ou abandono assustador sentido por uma menina que enfrenta sozinha os dois processos mais difíceis de sua vida e se entrelaça com habilidade ou um misto de culpa e liberdade envolvidos na decisão de abortar.

Cineasta e documentarista

A Mostra de Cinema de São Paulo também está pronta para apresentar outro aspecto da auto-estima de Ernaux, desta vez como cineasta. O documentário “Os Super-8 Anos”, que dirigiu ao lado do filho David e foi exibido no Festival de Cannes, é a estreia oficial do evento, que acontece ainda mais.

Nos últimos dias tem apostado no Prémio Nobel, um panorama com as habituais desconfianças, como o Quenian Ngugi wa Thiong’o, a canadiana Anne Carson, ou o japonês Haruki Murakami, ou o francês Michel Houellebecq e o anglo – Indiano Salman Rushdie.

Outros nomes que surgiram foram a guadalupeana Maryse Condé e a americana Jamaica Kincaid. Uma dessas duas, caso escolhido, seria apenas a segunda mulher negra da história a vencer ou vencer, depois da vitória de Toni Morrison, em 1993.

Ernaux, a 17ª mulher agraciada em mais de 120 anos do Prêmio Nobel de Literatura – a primeira francesa a ganhar o prêmio, que é a principal autora do século 20, como Marguerite Duras e Simone de Beauvoir, também abriu a Espanha para 14 homens do campo, ou mais lembrado na prise.

O presidente francês, Emmanuel Macron, saudou a atribuição do Prémio Nobel a Annie Ernaux, segundo a “voz da liberdade para as mulheres e dois esquecidos dos culos”. Ela “escreveu, h 50 anos, o romance da memória coletiva e íntima do nosso país”, disse ela.

Os últimos anos foram marcados por surpresas nas escolas da comissão sueca, que vem selecionando nomes que não eram cobiçados por quem tinha pouco projeto no Brasil. Uma figura muda agora com Ernaux.

O tanzaniano Abdulrazak Gurnah, expoente da literatura ps-colonial que começou a ser publicada no primeiro semestre deste ano com “Sobrevidas” (Companhia das Letras), era um completo desconhecido por aqui.

Em 2020, a poetisa norte-americana Louise Glck, também nunca publicada por estas terras antes do Nobel, encarregou-se de destronar de vez os favoritos. Desde então, a mesma editora publicou uma robusta antologia do livro mais recente do escritor.

Foi assim que os autores menos polêmicos optaram por encerrar anos conturbados da Academia Sueca, que viu um escândalo de abuso sexual derrubar membros de suas equipes, culminando com a suspensão do prêmio em 2018. Em compensação, no ano seguinte, dois vencedores foram escolhidos, Olga da Polônia Tokarczuk e o austríaco Peter Handke.

A Academia seleciona desde 1901 o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, uma iniciativa que, não como, foi um meio de divulgar a cultura escandinava – com algumas interrupções, ou prêmio j laureou 119 pessoas. Hoje, o escolhido ganha um bounty de 10 mil coroas suecas, ou pouco menos de R$ 5 mil.

CLUBE LITERÁRIO

Confira os últimos 10 vencedores do Prêmio Nobel de Literatura

2022 Annie Ernaux (Franna)

2021 Abdulrazak Gurnah (Tanznia)

2020 Louise Glck (EUA)

2019 Peter Handke (Áustria)

2018 Olga Tokarczuk (Polônia)

2017 Kazuo Ishiguro (Reino Unido)

2016 Bob Dylan (EUA)

2015 Svetlana Alexijevich (Bielorrússia)

2014 Patrick Modiano (Frana)

2013 Alice Munro (Canadá)

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