Minuta de Golpe de Torres e Bolsonaro é diretor do filme da Sessão da Tarde – 15/01/2023

Um policial trapalhão traça um rascunho de golpe de estado com um militar obtuso mais apegado ao poder do qual cresceu em cima da estrada do sorvete. O plano dá errado e eles decidem se vingar de dois adultos que atiram fogo no palácio antes de fugirem por muito tempo.

Durante a viagem, os paspalhos descobrem o que deixaram para trás, numa gaveta, uma prova impressa e auditada do crime.

Agora, para fugir da polícia, essa galera do barulho vai viver muitas confusões e aventuras em suas frustradas férias em família.

Personagens do tipo só poderiam sobreviver e entreter o público em duas hipóteses: filme da Sessão da Tarde e sem governo Jair Bolsonaroou o único gênio capaz de trazer ao Ministério da Justiça uma figura como Anderson Torres — ex-policial federal que, Parece, agora uma boa ideia encontrar o ex-chef dias apóstrocar o comando de segurança em Brasília e permitir que uma horda de fanáticos tente abolir os poderes da República com paus e pedras.

O despautério não se impressionou apenas com a viagem providencial, como ninguém pôde perceber. Ficou patente na prova do crime, uma denúncia, antes de todo, da asnice telegraphada.

É preciso muita ilusão da própria inteligência para imaginar que ninguém desconfiaria das tramas golpistas contidas em uma mesa responsável pela destituição da Justiça Eleitoral composta por oito integrantes de um Ministério da Defesa filiado.

Era como se um tempo pedisse a anulação do jogo e só valesse a pena voltar a campo se os árbitros encontrassem os jogadores do seu próprio time.

A cada dia que passa fica mais claro que Bolsonaro nunca tem condições de administrar um pequeno lote, muito menos um país. Conseguiu-se acabar ou o governo foi porque, num lapso de perspicácia, cercou-se de gente igualmente inapta. Algumas pessoas que, não fosse por ele, jamais iriam ao topo da carreira ou prestígio social como chegaram.

Foi assim que um ator acusado de “Malhação” e sem o reconhecimento de dois pares foi elevado a autoridades da área cultural.

Que um obscuro assessor do Congresso virou ministro das Mulheres.

Que um professor sem sucesso na academia se tornou chefe da Educação.

E que um policial de limitação tão escancarada se tornou o chefe da Justiça.

Por outro lado, o governo Bolsonaro foi um amontoado de aspirantes, picaretas, técnicos messiânicos e profissionais meia-boca amontoados na carreira que viram no fundo uma chance de mudar de vida.

Os motivos para amar que te coloquei aí são compreensíveis.

É difícil entender por que alguém se arriscaria a ser preso de graça — mas muitos financiaram ou participaram da falência com recursos públicos para proteger seus bens privados.

Em charge publicada pelo cartunista suíço Herrmann no jornal Le Monde, da França, bolsonaristas que marcharam em Brasília foram retratados em um grande protesto contra a “ditadura da realidade”.

Poucos conseguirão captar o melhor espírito que une Bolsonaro, seu ambiente e seus seguidores mais fanáticos.

Todos ali parecem prisioneiros de uma realidade paralela em que seus delírios, medos e certezas são finalmente reconhecidos, empoderados, lapidados e tratados com amor. O reforço positivo e a sensação de finalmente ser reconhecido é uma fonte inesgotável de dopamina. Desgasta como uma droga.

Bolsonaro ouve e dá abrigo a uma multidão de pessoas sondadas pela realidade, essa imposição de dois fatos que de vez em quando aparece para dizer que Deus não fala nada; Não, subir no telhado do Congresso não faz de Madame uma revolucionária; Não, o fanático detentor da “verdade” não é tão perito nem tão inteligente quanto imagina.

Se assim fosse, não haveria tanta gente produzindo tantas provas de tantos crimes cometidos no dia 8.

As razões para estar ali eram difusas: autoengano, manipulação, perícia, causa própria. Mas a estupidez parecia ser um denominador comum.

Anderson Torres, acusado de desmantelar dois poderes de segurança e fugir, é a face mais notável de um grupo deslumbrado pela ilusão de poder de que ninguém, o ministro que está acuado ou instalado no meio da nossa rua, parece disposto a abrir seu mão. Estão todos marchando contra a “dittadura da realidade”.

A diferença entre uma multidão de bandidos empoderados por Bolsonaro e um filme da Sessão da Tarde é que eles só dão humor inofensivo.

Bolsonaro encerrou a carreira militar como soldado incendiário e perigoso acusado de armar, no papel, um plano para explodir quartéis.

Como presidente, aceito e aceito um país inteiro. Os minutos para implodir a democracia deveriam ser o fim de sua carreira política.

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