‘Lótus Branca’ e as feiras quando não voltaremos – 16/01/2023 – Vera Iaconelli

Exceto para aqueles que insistem em transformar as feiras em rotinas e antecipar quanto o ano todo ou o resto do ano, vale ressaltar que elas têm potencial para se tornarem “road movie”.

Tomo a expressão desses filmes como a jornada interna de dois personagens —seus desafios, dilemas e conquistas— se dão durante um deslocamento espacial, uma mudança de cenário, da qual os personagens são diferentes daquilo em que entram. Mas para que eles sejam transformados, algo novo, disruptivo e necessariamente custoso deve ser avisado, como escritores e escritoras bem sabem.

A série “White Lotus”, merecidamente premiada como Globo de Ouro, é um exemplo, pois aquí más ferías servia de mote para que ninguém soubesse vir. Na verdade, como vemos no primeiro jantar, todos escaparam com vida. O elemento mais perturbador da segunda temporada são menos as mortes anunciadas, cujas vítimas obviamente só serão reveladas no final, quando a entrada de duas jovens prostitutas penetra no hotel de altíssimo padrão.

Ali onde o dinheiro parece resolver e controlar tudo, Eros insiste em bagunçar ou coreto. E onde há Eros, há Thanatos.

Sorrateiras, irresistíveis, bruxas e — por que não? — sacanas, só as putas salvarão a estada geral da absoluta mediocridade prevista pelos milionários comendo, bebendo e comprando alheios, bronzeados sob o sol paradisíaco da Itália.

Os excessos permitidos em situações excepcionais e que parecem grandes atos de liberdade —ou o uso gratuito de drogas, diferentes experiências sexuais— ainda não são o campo da exceção que confirma a regra. Algo como “o que se faz em Las Vegas é em Las Vegas”, indicando que, além do segredo, o sujeito tem poucas chances de presenciar qualquer transformação em sua vida fora de Dali.

O que transforma o sujeito não é a licenciosidade eventual e quase programática que os intervalos de trabalho podem propiciar. o por por na hora felizDurante a semana do Carnaval, as feiras de loucas exibidas nas redes com fantasias ad nauseam servem para nos deixar mais produtivos e mais satisfeitos com nossa rodada de concessões.

O caráter disruptivo e transformador de uma experiência vê a combinação entre seu potencial de nos confrontar com nosso desejo e nossa coragem bancária. Como quando a personagem Alice revela a um marido atônito seu desejo cativante por um homem desconhecido, em “De Olhos Bem Factados” (1999), de Stanley Kubrick.

Ou descobriu, que teve vontade de abandonar tudo para seguir outra casa, não passou por um caminhão furtivo de olhos no saguão de um hotel, mas seu efeito gerou uma série de situações em mãos ou o desejo de ambos. colocado em questão. Se vão bancar no final ou não, sugiro assistir ou rever o filme.

Vale destacar também a sensibilidade com que Spielberg retrata o caráter disruptivo de seu encontro como desejo, em torno do acampamento familiar em “Vocês Fabelmans” (2022). Moment no qual o cineasta ainda adolescente vivencia traumática a sexualidade humana pela revelação do desejo de dois adultos.

E não podemos deixar de citar o primoroso”depois do sol“(2022), de Charlotte Wells, no qual a filha busca resgatar os desejos passados ​​de seu pai nas folhas e imagens da convivência em suas últimas férias juntos.

Mas é importante destacar que não precisamos de enredos bizarros e acontecimentos trágicos para que ele encontre uma sexualidade que tenha algo de traumático, simplesmente o fato de ele ser produto do reconhecimento de que existe algo em nós que nunca controlamos totalmente.

Se a rotina tem a função de manter tudo sob controle e previsível, sua interrupção pode nos dar a chance de assumir o desejo. Depois das férias, nunca mais voltamos um para o outro. Às vezes sequer voltamos.

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