Livros para falar do Brasil e do mundo

Teve início no dia 13 de abril e seguiu até o dia 15, o seminário “Discutindo o Brasil e o Mundo”, organizado pelo Conselho Editorial da Editora Unicamp, com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proec) e a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros. “Desde 2007 vivemos crises econômicas, passamos por uma pandemia e auxiliamos na reorganização de cenários políticos, foi provocada pela Guerra na Ucrânia, no cenário internacional, foi em laboratórios fascistas, como o atual governo no Brasil . A pergunta que temos medo vai nos fazer: para onde vamos?”, questiona Edwiges Morato, diretora da Editora da Unicamp. Como seis mesas temáticas e um Fórum aberto que compõem o Seminário terão como tema central um jantar sociopolítico nacional e internacional contemporâneo, especialmente a crise da democracia e seus impactos. O evento também contemplará discussões sobre o papel do livro acadêmico e da divulgação da ciência na formação universitária, na democratização do conhecimento e na vivência da cidadania. “A Editora da Unicamp se posiciona como uma entidade acadêmica, científica e cultural, portanto, mais do que divulgar nosso catálogo, procuramos articular a produção editorial com eventos, sempre que possível dentro dos muros da Universidade”, afirma Morato.

Foto de uma mulher que aparece da cintura para cima.  Ela é branca, tem cabelos castanhos, comprimento médio, usa óculos, máscara, blusa preta e blazer vermelho.  Ela está protegendo um microfone.
“A Editora da Unicamp se posiciona como uma entidade acadêmica, científica e cultural, portanto, mais do que divulgar nosso catálogo, procuramos articular a produção editorial com eventos, sempre que possível dentro dos muros da Universidade”, diz Edwiges Morato.

Parte das discussões do Seminário será transformada em uma série de livros com o mesmo título do evento e com selo próprio. “A nova série é inaugurada com duas traduções, fruto do interesse da Editora em publicar um conjunto de obras nacionais e estrangeiras que tenham como tema as discussões recentes em torno da democracia”, explica Morato. “Em geral, o mercado editorial lida com questões contemporâneas, mas sem sugerir alternativas. É papel de estudiosos e cientistas enfrentar essas buscas”, credita o diretor. Para ela, trabalhar com a contemporaneidade também abre uma linha editorial para o catálogo da editora. “Com as traduções, conseguimos nos atualizar em relação a essas discussões no âmbito internacional”, acrescenta.

Diagnósticos e prognósticos sobre a crise do neoliberalismo e a ascensão de uma direita autoritária serão tema de mesa com a socióloga da London Metropolitan University Úrsula Huws. Desde a década de 1970, desenvolve pesquisas sobre os impactos das transformações tecnológicas, remanejamento telemediado do trabalho e mudanças na divisão internacional do trabalho. É de sua autoria um dos lançamentos da Editora da Unicamp, Reinventando o Estado do bem-estar: plataformas digitais e políticas públicas, que integra a nova série “Discutindo o Brasil e o Mundo”. Com foco na classe trabalhadora britânica, a autora discute os impactos da privação do estado de bem-estar no emprego, na assistência social e nas relações de gênero, tragicamente expostos durante a pandemia de Covid-19. No livro, Huws discute ideias e políticas para reconstruir um sistema que garanta proteção para todos, incluindo renda básica e uma nova legislação para os direitos universais dos trabalhadores. Também reivindica um “Estado de bem-estar digital” para o século 21, o que envolveria um redirecionamento das tecnologias de plataforma online sob controle público para modernizar e expandir serviços e melhorar sua acessibilidade.

O que um livro está fazendo?

Em meio às tentativas de identificar o cenário sociocultural e político brasileiro a partir da produção editorial, me deparo com a pergunta: qual o impacto do livro acadêmico na agenda de intelectuais orgânicos e grupos minoritários? Este é o tema da mesa que abre o segundo dia do Seminário. Participaram Kassandra Muniz, professora da Universidade Federal de Ouro Preto UFOP, que estuda práticas identitárias e linguagens, e Márcia Mura, escritora, ativista do movimento indígena e professora de História Social da Universidade de São Paulo (USP). Da Unicamp, Regina Facchini, do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, e, como mediadores, os professores participaram Iara Beleli e Iara Lis Schiavinatto, ambas fazem corpo editorial da Editora. “Com esta mesa, queremos dar destaque ao livro acadêmico nesses movimentos, ajudando aquelas pessoas que, mais do que ativistas, são intelectuais orgânicos”, explica Morato.

Foto de um livro aberto.
Seminário organizado pela Editora da Unicamp vai discutir o impacto do livro acadêmico na agenda de grupos minoritários (Foto: Antonio Scarpinetti)

O Seminário também traça uma mesa sobre a democratização do conhecimento e divulgação da ciência com o lançamento de Ipabuçu, à vida nas lagoas. Este livro, do biólogo e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Marcos Rodrigues, que tem outros trabalhos publicados pela Editora da Unicamp, mostra as relações ecológicas que podem ser observadas em qualquer lago do planeta, desde o lago Santa até o município Mineiro de mesmo nome, ligado aos grandes lagos da África e da América do Norte.

festival do livro

Como parte das atividades comemorativas dos 40 anos da Editora da Unicamp, de 13 a 18 de setembro, acontece a Festa do Livro em formato híbrido. A parte presencial será do Ciclo Básico II. Além disso, o site da Editora, reformulado especialmente para as comemorações, contará com a presença virtual de diversas editoras universitárias. Tanto os livros que fazem parte do catálogo, os lançados em 2022 e os recém-lançados, quanto a nova série “Discutindo o Brasil e o Mundo”, estarão disponíveis no Festival.

Composição com fotos de camadas de livros.

Reflexões sobre o mundo contemporâneo

Entre as traduções que compõem a nova série está o último livro do historiador, jornalista e escritor argentino Pablo Stefanoni. em A rebelião vira à direita? Ele analisa a chamada “direita alternativa” que está liderando uma revolução na política ocidental com combinações de nacionalismo, posições antiestatais, racismo e misoginia, mas também com respeito às comunidades LGBTI e slogans ambientais. Com uma aura de impropriedade e novidade, o movimento levanta bandeiras de indignação e rebeldia que eram a marca registrada da esquerda. No livro, Stefanoni sugere meios para que a esquerda enfrente essa revolução antiprogressista e recupere a bandeira da transgressão.

O próximo lançamento, que acontecerá em outubro, é o livro de Márcio Pochmann Novos horizontes do Brasil na quarta transformação estrutural. Autor de mais de 60 livros sobre economia, trabalho, desenvolvimento, cidades e políticas públicas, é a primeira vez que o economista tem um trabalho publicado pela Editora da Unicamp. Também não faço escopo da série sobre questões contemporâneas, a obra trata da história econômica recente do Brasil e explora alternativas para o futuro do país.

serviço

  • Seminário “Discutindo o Brasil e o Mundo”

De 13 a 15 de setembro

Auditório do Centro de Convenções da Unicamp

Programa completo e inscrições nesse links.

De 13 a 18 de setembro, não Ciclo Básico II

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