livros para entender a trajetória do escritor

“O que se encontrava afogado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só os corações, mas as próprias coisas e seres, levando-os, assim, duplamente invisíveis.” Como palavras de “Ensaio sobre Cegueira“É de 1995, mas consigo abreviar os tempos mais recentes.

Em metáforas, ou autor José Saramago (1922 – 2010) usa o termo “cegueira branca” para discutir questões complexas, como o ódio e o medo, em um livro que aborda diversos pontos de supostos valores sociais. As críticas atuais às obras do escritor português tornam a produção de Saramago precisamente atual e podem, inclusive, retratar o atual contexto político não do seu centenário, comemorado em 16 de novembro.

Saramago Morreu, 87 anos, em Espanha
Saramago morre aos 87 anos, na Espanha (Foto: Divulgação)

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“Este livro é um excelente exemplo da maneira como ele energiza o mundo. Aqui ele fala de um ensinamento planetário melhor do que se tornou realidade. Ele não é um profeta, ele é um escritor, mas de alguma forma ele postulou que um certo globalização pode causar problemas mundiais por conta Hiperconectividade“, relata o jornalista e escritor Hamilton Nogueira. Nascido na Azinhaga, província situada a 100 km de Lisboa, o autor dificilmente pôde explorar durante a infância ou início da juventude.

Começo

Filho de José de Sousa e Maria da Piedade, o português nem sabia que tinha Saramago – nomenclatura de planta herbácea, que na época servia de alimento – como apelido. Eu descobri quando tinha sete anos, quando apresentei documentação na escola e, então, foi percebido como José de Sousa Saramago.

Com pouco poder aquisitivo, ou conhecimento de literatura, via isso como contato com livros didáticos. A afinidade com as palavras foi intensificada por meio de dois passeios entre as bibliotecas públicas de Lisboa. Trabalho como mecânico e em instituições de segurança social até publicar o primeiro livro, lançado com o título “terra do pecado” (1974). Saramago ainda adquiriu experiência como desenhista, tradutor e editor de jornais ao mesmo tempo em que se dedicava inteiramente à literatura com “Levantou o Chao“(1980), depois de testar com poesia e prosa.

Estilo

O título da década de 1980 marcou a mudança na narrativa do escritor, que passou a ter um ritmo mais acelerado, pois sem pontuaçãocom Diálogos que acontecem com pouca ou pouca marcação. No primeiro contato de Hamilton com a obra de Saramago, por meio do livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), a estética causou estranheza. “Foi muito estranho ver uma narrativa sem cruzamento, sem ponto e virgula entre as frases. Tenho que entender que ele está mudando de voz e isso requer mais atenção”, considera.

Outro ponto que o jornalista abordou ironia depositados nos textos, bem como o contraste entre uma crueldade e sensibilidade apresentar-nos livros de português. “Por pura sorte, fui ler um livro que fala de amor e vi aquela pessoa tão ácida e tão lírica.” Saramago transita entre a realidade e a fantasia, ou o grotesco e o sensível, ou o profano e o sublime. Com mais de 40 publicações, ou ganhou escritor ou Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e ter livros traduzidos em mais de 50 países.

“É metafórico, não vai falar de uma coisa específica da história de Lisboa, fala do homem, das relações humanas”, considera Hamilton. A liga com Portugal, inclusive, é tema recorrente em produções como “História do Cerco de Lisboa” (1989), em que o autor se depara com a ligação entre memória e território. “A língua portuguesa é a base dessa relação. Sempre achei a língua portuguesa muito bonita, muito interessante em todas as suas variações. O português, diferente das pessoas, conhece a beleza”, destaca Nogueira.

Exílio e Fundação

Às vezes, o mercado editorial local rejeita os escritos de Saramago e, em troca, ele fica mais de 20 anos sem lançamento. Em 1993, o autor do livro “Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi banido do Prêmio Europeu de Literatura pelo governo do Partido Social Democrático, o escritor vivia em exílio voluntário nas Ilhas Canárias, na Espanha, onde permaneceu amarrado à morte, em 2010, aos 87 anos.

Fachada da Fundação José Saramago, em Lisboa
Fachada da Fundação José Saramago, em Lisboa (Foto: Divulgação)

O ofício do português continua a ecoar durante meio dia Fundação José Saramago, localizado em Lisboa. O espaço promove os princípios de honra: defesa e divulgação da literatura contemporânea, dois direitos humanos e meio ambiente. Como aponta Hamilton, a trajetória do escritor perpassa por buscas complexas e grandes abordagens. “Isso o torna eterno”, finaliza.

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Veja indicações de livros do autor:

“O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991)

“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos de dois homens, nascido do sangue de sua mãe, viscoso de seu muco e sofrendo em silêncio.” Uma narrativa traça ângulos da história bíblica e questiona sobre figuras cristãs.

“Levantado do Chão” (1980)”

O romance marcou uma mudança na narrativa de Saramago, agora em um fluxo mais contínuo. O livro acompanha a trajetória da família Mau-Tempo de lavradores alentejanos. A trama também passa pela luta das cidades que trabalham no campo e suas precárias condições de trabalho.

“Histórias do Cerco de Lisboa” (1989)

A escrita remonta à história levada de Lisboa aos mouros no ano de 1147. Por outro lado, um caso de amor aconteceu na cidade na década de 1980. As duas narrativas entrelaçam passado e presente a partir de dois personagens Raimundo Silva e Mara Sara .

“Ensaio sobre Cegueira” (1995)

Indicação do jornalista Hamilton Nogueira, considerado por ele “o livro do momento”. A obra foi ganhadora do Prêmio Nobel em 1998 e é contextualizada por uma “cegueira branca” que é rapidamente reconhecida na sociedade. A epidemia provoca uma grande crise, trazendo reflexões sobre tempos sombrios da espécie humana.

Todos os livros citados estão disponíveis em Amazonas

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