filme reconstitui história que emoldurou o país

Postado em 11/01/2023 06:00

  Crédito: Juliana Chalita/Divulgação.  Filme.  O Sequestro do Voo 375, dirigido por Marcus Baldini com produção de Joana Henning, a longa história do maior sequestro de aviões do Brasil.  - (crédito: Juliana Chalita/Divulgação)


Crédito: Juliana Chalita/Divulgação. Filme. O Sequestro do Voo 375, dirigido por Marcus Baldini com produção de Joana Henning, a longa história do maior sequestro de aviões do Brasil. – (crédito: Juliana Chalita/Divulgação)

Durante quase 11 anos, à frente de uma investigação sobre acidentes aéreos e manutenção de aeronaves, o jornalista Constâncio Viana Coutinho não disparou da cabeça um episódio que roubou ou soou, em 1988, quando trabalhava na televisão. Como moravam em Brasília, ele não jogava nem cheirava o mundo, antes que um caça Mirage perseguisse um Boeing que sobrevoava a cidade. Em jogo, naquelas manobras, estávamos na vida de mais de 100 ocupantes do avião que, no avião de um sequestrador, deveria jogar contra o Palácio do Planalto, a fim de matar o então presidente José Sarney. “Sempre com o objetivo de homenagear vocês que se feriram neste caso: tanto o piloto Fernando Murilo (de Lima e Silva) quanto o copiloto Salvador Evangelista, em memória”, diz Constâncio que, ao custo de R$ 15 milhões, acompanha o desafio final da produção de longa metragem O sequestro do voo 375, com estreia prevista para o final do ano.

Até amanhã, as filmagens do longa, que reúne produtores da Escarlate Conteúdos Audiovisuais, da LTC e da Star Original Production (braço de conteúdo adulto da Disney), seguem em andamento, com locações nos pavilhões da Vera Cruz (São Bernardo do Campo). “Não fantasio e apelo a uma realidade paralela”, como aponta Constâncio, viúvo há seis anos, o filme ganhar corpo, natural da Lusa Silvestre e Mikael de Albuquerque. “Uma simples leitura do roteiro em uma videochamada, como os atores, ainda era emocionante e fez meus olhos marejarem. É uma coisa indescritível”, comenta o autor da trama do filme.

O equilíbrio entre ação, suspense e drama, “em todo filme, existe”, segundo o diretor de longa data Marcus Baldini. “Criamos um thriller, não aquele em que o espectador tem que ser pego. Há uma situação de emergência sendo resolvida, no final do filme. O longa de ação é longo, com muito tumulto”, escreve Baldini. Como criador, sem saber “exatamente os diálogos” ocorridos na cabana, em 1988, aprecia o apreço pelo heroísmo de Murilo e a meticulosidade das ações do sequestrador Raimundo Nonato Alves da Conceição. “A alma e a essência de duas personagens são dramatizadas, como fizeram em Bruna Surfistinha e O rei da TV (sobre Sílvio Santos)”, destaca.

Na base real do filme vemos muito da investigação de Constâncio, com o apoio de conversas com quem vive o caso e sentiu tudo na luta. “Algumas pessoas que conheci ao longo desses anos ainda relutam em contar os fatos. Há passageiros desses que nunca viajaram de avião. Gravei histórias com o piloto do Boeing Vasp 375, Fernando Murilo, falecido há dois anos. Ele conta todos os detalhes daquele dia, inclusive o desespero ao ver seu amigo e compadre Salvador Evangelista ser morto, ao seu lado, com um tiro na cabeça a sangue frio”, lembra. Para ouvir os envolvidos na operação de negociação e resgate de duas barragens, Constâncio ouviu integrantes do COT (Comando de Operações Especiais da Polícia Federal) e entrou em contato com a Central de Comunicação da FAB.

  • O autor Jorge Paz
    Marcelo Navarro/Divulgação

  • O diretor Marcus Baldini com a produtora Joana Henning
    Marcelo Navarro/Divulgação

  • Crédito: Juliana Chalita/Divulgação. Filme. O Sequestro do Voo 375, dirigido por Marcus Baldini com produção de Joana Henning, a longa história do maior sequestro de aviões do Brasil.
    Juliana Chalita/Divulgação

  • Hoje muitas mobilizações da Força Aérea Brasileira, sem conjunto
    Fotos: Juliana Chalita/Divulgação

  • Esforços acrobáticos foram processados ​​e não definidos
    Juliana Chalita/Divulgação

resultados ambiciosos

Com alto risco, a produtora Joana Henning vê o conteúdo como “altamente globalmente relevante”, um produto com qualidade técnica que não deixa a desejar para outra megaprodução. “É uma mudança de paradigma do cinema nacional. Fazer coisas (no jantar) nunca feitas — misturamos técnicas de circo, carnaval e cinema para construir máquinas e criar cinematografias gigantescas que representam um avião em tamanho real”, demarca o CEO da Scarlate.

Depois de nove tratativas para o longo percurso, que contou com a participação de consultores da Aeronáutica e da Polícia Federal e mobilização do acervo do Museu Aeroespacial (RJ), entre outras coisas, Joana viveu o filme ganhou corpo, baseado em “absurda estrutura técnica”, que mobilizou um drone, ouviu câmaras, na presença de 350 pessoas num set de filmagem capaz de integrar 180 figurantes. Durante oito semanas de filmagem, uma média diária de captura de imagens durou cerca de oito horas.

Sem investimento direto, a Força Aérea Brasileira responde por parceria institucional, estimada em R$ 2 milhões. Equipamentos de taxiamento de aeronaves, tratores, carros de abastecimento e paralisação de locações, levando a uma semana de interdição da pista militar para filmagens. “O filme é caríssimo, com uma história sensível na demanda de relações institucionais intensas”, simplifica o produtor. “Abrir a porta para contar uma história dessa magnitude me parece muito interessante. O filme é uma produção usada, corajosa. No Brasil, não temos registro de um filme desse tamanho de produção. Agora a reconstrução do avião e a as manobras não são complexas”, observa o diretor Marcus Baldini. Constâncio Coutinho não pode elogiá-lo: “Encontrei parceiros mais qualificados, com experiência e conhecimento. Sou profissional não audiovisual há 36 anos, mas trabalho sempre na televisão. Cinema é algo muito mais complexo”.

reconstrução laboriosa

De Planaltina, por meio de uma cobradora, a equipe teve acesso ao Boenig 737 que, desmontado, seguiu em três caminhões com destino ao conjunto paulista. Duas, em estúdio, vão ajudar a ilusão de si, para jantares com quase 70 atores. “Os efeitos físicos e a computação gráfica, 3D, estão alinhados com o grande desafio técnico das imagens. Isso confere ao filme um impacto visual, um tamanho de evento bem diferente do que estamos acostumados a ver no cinema brasileiro. Contamos com o apoio de uma equipe integrada”, defende o cineasta. Helicópteros Bell jetRanger e aviões Electra e Bandeirante vão jantar no filme O sequestro do voo 375.

Para alguns aparelhos, personagens como os comissários Rafael (Diego Montez), Cláudia (Juliana Alves), Sílvia (Arinne Botelho) e Valente (Wagner Santisteban) faziam parte do diversificado núcleo de tipos. “O cerne emocional do filme está intimamente ligado à relação entre Murilo (Danilo Grangheia), o piloto com um lado humano muito forte, e Nonato (Jorge Paz). No papel da controladora de voz Luzia, Roberta Gualda atua como rádio conexão e emocional como o herói, mediando as ações que ele precisava”, diz o diretor.

As consequências do que viu em O sequestro do voo 375 são destacadas por Joana Henning. Ela cita a agilidade da comunicação e a atuação coordenada dos órgãos nacionais como barreira para uma situação ainda mais crítica. “O evento é visto como inspiração para o reforço da segurança nos aeroportos do Brasil. Naquela época, não havia raio-X, não havia sistemas de segurança e câmeras nas portas. Não havia porta blindada ou cockpit. Uma curiosidade interessante é que o espaço aéreo brasileiro é considerado um dos dois mais seguros do mundo”, concluí.

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