Copa do Mundo: uma lista de cinco livros sobre futebol para alemães de quatro pistas

Sindipetro-SP seleciona cinco obras para mostrar a diversidade e abrangência do esporte mais popular do mundo

Sócrates é um dos dois personagens retratados nos livros (Foto: Reprodução/Corinthians)

Por André Lucena, sob orientação

A atual edição da Copa do Mundo de Futebol tem despertado a atenção de todo o planeta muito antes da bola rolar – e por motivos que vão além das quatro linhas. Os debates e as polêmicas começaram a surgir após o anúncio do Catar como país-sede do principal evento da FIFA (Federação Internacional de Futebol), no final de 2010.

Desde então, os preparativos do Catar, primeiro Estado do Oriente Médio a sediar uma Copa do Mundo, foram cercados de muitas expectativas e, do ponto de vista do respeito aos direitos humanos, de uma série de polêmicas. Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch denunciaram, nos últimos anos, as maiores condições de trabalho oferecidas aos trabalhadores responsáveis ​​pela construção de dois estádios e da infraestrutura geral do evento.

Além disso, a própria escola do Catar (nação sem cultura futebolística) como país-sede foi objeto de investigação envolvendo suposta compra de votos. As investigações, entretanto, ainda não foram concluídas pelas autoridades francesas.

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Não em campo, a Copa 2022 vê o mundo surpreso com jogos cada vez mais equilibrados, principalmente na primeira fase. Vezes consideradas favoritas no início do evento, como França, Argentina e Brasil, foram surpreendidas por seleções como Tunísia, Arábia Saudita e Camarões, respectivamente. O Japão, enfrentando um grupo difícil ao lado de Espanha e Alemanha, sagrou-se bicampeão mundial. A eliminação da Alemanha ainda está na fase de grupos, estão as eliminações de seleções poderosas, como Bélgica e Uruguai, como grandes surpresas da atual edição da Copa do Mundo.

As Copas do Mundo, em suas vinte e duas edições, sempre mostram ao planeta o que o futebol tem de melhor. Os grandes jogos costumam simbolizar ataques táticos e técnicos, mas também excelentes oportunidades para conhecer a diversidade cultural presente em um evento tão importante. A dramaticidade argentina se soma à eficiência tática alemã, ao mesmo tempo em que a disciplina japonesa reverbera entre os nipônicos. A irreverência das torcidas senegalesas, por exemplo, dá ritmo a dois jogadores em campo.

Tradicionalmente, a Copa é um evento que extrapola as fronteiras do futebol. Nem todos, inúmeras pessoas que não costumam torcer por um horário específico ou que não acompanham o próprio futebol acabam parando, a cada quatro anos, para assistir ao evento que atrai tanto cabelo que se vê em campo, quanto cabelo que acontece fora dela.

A literatura sempre esteve atenta a esse fenômeno. Reconhecido como elemento central da cultura brasileira, o futebol foi e continua sendo tema de tramas ficcionais, ensaios, artigos e crônicas. Tratando-se das histórias individuais de dois jogadores ou dois nos bastidores de cada edição da Copa do Mundo, a literatura é uma excelente fonte sobre o futebol, sob os mais diversos pontos de vista: histórico, político, esportivo, etc.

Em tempos de Copa do Mundo, o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) preparou uma lista com cinco livros sobre futebol para você conhecer. São livros endossados ​​por escritores, estudiosos, jornalistas e até ex-jogadores. Um dia literário no fascinante mundo do futebol.

Lista de controle:

“Namoro por Razão Futebol” (Editora L&PM), de Eduardo Galeano

Entrando na crônica e no ensaio, misturando ficção e realidade, o uruguaio Eduardo Galeano diz: “Quando começa a Copa do Mundo, pendurei na porta de casa uma carta que dizia: Namoro por motivos de futebol. Quando me aposentei, um mês depois, já havia disputado 64 jogos, da cerveja ao mão, sem sair da minha poltrona favorita. Este é um livro sobre o país não apenas para o futebol, mas para a Copa do Mundo, especificamente. Nele, Galeano narra os causos de jogadores, grandes times e jogos históricos. Todos os textos de Galeano expressam um pensamento lúcido e poético que vai além do seu próprio futebol. Sobre o mesmo tema, o uruguaio escreveu, também, o clássico “Futebol ao Sol e à Sombra”.

“Tempos vividos, sonhados e perdidos: um sonho sobre o futebol” (Companhia das Letras), de Tostão

Rocha absoluta do futebol brasileiro, Tostão foi excepcional dentro e fora de dois campos. Um dos dois principais jogadores da icônica geração de campeões mundiais na Copa do México de 1970, Tostão era dom de um estilo refinado, que combinava inteligência e grande capacidade de compreensão do jogo. Tendo encerrado a carreira precocemente (devido a um grave problema ocular), Tostão dedicou-se à medicina e à crônica esportiva. Seus textos, atualmente publicados na Folha de S. Paulo, são vistos como parte da linha de frente da crônica esportiva brasileira. Tostão, além de simplificar a linguagem tática e descrer da poesia ou do desenvolvimento do jogo, está sempre atento à força do imprevisto, do inesperado e do aleatório em uma partida de futebol. Este livro, o eterno ídolo do Cruzeiro, tem sido um endossante das últimas décadas do futebol, no Brasil e no mundo. O livro revela, acima de tudo, um pensador do futebol. Há depoimentos sobre as Copas que Tostão participou, além da manifestação de seu olfato sobre o atual papel do jogador sobre o estilo de jogo. Uma excelente oportunidade para conhecer as ideias do indiscutível tricampeão mundial.

Futebol à Esquerda” (Editora Mundaréu), de Quique Peinado

Como diz o jornalista e historiador Celso Unzelte, este livro “[…] falar de um futebol diferente. Que escapa à mistura de gestos e declarações sempre sufocadas pelas exigências comerciais de um mundo que parece – mas dificilmente parece – cada vez mais sem opções. Um futebol que responde e, da mesma forma, recompensa o país que é a sua razão de ser”. O jornalista espanhol Quique Peinado narra a trajetória de personagens do futebol que são conhecidos não apenas por seus feitos em campo, mas pelo poder de contestar as injustiças sociais, as desigualdades e o autoritarismo. Como exemplo, o livro trata de dois brasileiros Sócrates e Reinaldo, o holandês Johan Cruyff e a francesa (de origem caribenha) Lilian Thuram. Personagens que se constituem como ídolos, não no sentido mais amplo da palavra. “Futebol à esquerda” permite pensar que o futebol pode ser, fundamentalmente, uma plataforma política e um campo de luta.

“I Confesso que Perdi” (Companhia das Letras), de Juca Kfouri

Ao longo de cinquenta anos de experiência como jornalista esportivo, Juca Kfouri tem sido um testemunho privilegiado do futebol brasileiro, mas não só: como sociólogo, tenho observado as transformações sociais do país, suas mudanças de regimes políticos e os caminhos (e caminhos) do futebol. Ex-editor da Placar, Juca Kfouri denunciou a Máfia da Loteria Esportiva, por exemplo. Em “I Confesso que Perdi”, Kfouri trata de sua própria história, mas cuidado para não se colocar como único protagonista das histórias que vive. Escolhi, como eixos para contar a história recente do futebol no Brasil e no mundo, eventos como o Já Diretas e a Democracia Corinthiana, as polêmicas ações de poderosos jogadores (como João Havelange e Ricardo Teixeira) e grandes nomes do futebol, como João Saldanha, Zinedine Zidane e Sócrates.

“Democracia Fútbol Club: O jogo de quatro linhas” (Editora Ludopédio), de Roberto Jardim

Imagine poder escalar um time com dois sonhos, tendo seus jogadores preferidos à disposição. Roberto Jardim, neste livro, classifica onze jogadores (mais ou treinador) naquilo que chama de “tempo de democratas”. Um livro que reforça, de forma inteligente, a ideia de que futebol e política estão profundamente misturados. Para quem vai poder reconhecê-lo, ficam nomes como o uruguaio Obdulio Varela, o francês Eric Cantona e o “primeiro homem livre do futebol”, ou o craque Afonsinho.

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