5 livros para entender o Independência do Brasil além de D. Pedro

Limitar o processo de independência do Brasil à declaração de D. Pedro às margens de um rio é tirar o protagonismo de muitos grupos sociais, diz professor

8 conjuntos
2022
– 17h51

(atualizado às 19h27)

“Independência ou morte!”, diria bradado Sr. Pedro I às margens do rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. Por mais que os livros de história tenham, por muito tempo, exaltado esse episódio como um acontecimento crucial no processo de independência do Brasil, hoje os historiadores reconhecem que o processo vai muito além dar a declaração.




Foto: Editora 34/Companhia das Letras/ / Guia do Aluno

O professor de História do Colégio Rio Branco e coordenador do site Portal do Bicentenário, Pedro Castelão Medeirosdestaca que, ao longo do tempo, as narrativas construídas a partir da declaração de D. Pedro contribuíram para uma simplificação do processo de independência, que acabou excluindo ou diminuindo a participação de outros grupos sociais.

“Desde a Independência, diversas narrativas, com exaltação de diferentes símbolos, têm sido utilizadas para se referir à emancipação brasileira”, diz. Um exemplo da exaltação séria da famosa pintura do artista Pedro Américode 1888, que retrata a declaração da independência de forma épica, dando tons gloriosos e míticos na ocasião.



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Foto: Wikimedia Commons/Reprodução/Guia do Estudante

Para fugir das narrativas simplistas, é preciso considerar a independência como um longo processo que envolve diversos atores sociais do país. O desejo da população por uma emancipação de Portugal nunca pôde ser visto em movimentos como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, no final do século XVIII.

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Pensando nisso, ou professor Pedro Castelão Medeiros indica 5 livros que fornecem uma visão mais ampla do processo de independência do Brasil, incluindo obras publicadas neste bicentenário e outras já consagradas. A cada indicação, o professor justifica a escolha destacando sua relevância e os principais temas abordados.

1. Almanaque do Brasil nos tempos da Independência – Jurandir Malerba



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Foto: Editora Ática/Divulgação / Guia do Aluno

“Escolhi o ‘Almanac do Brasil nos Tempos da Independência’, do professor Jurandir Malerba (UFRGS), por ser um livro que dialoga com um público de outros historiadores. Num trabalho de síntese histórica, tão importante em momentos de rapidez informacional, o professor utiliza o formato almanaque que possui um recurso mais visual e lúdico para demonstrar que os tempos de independência são múltiplos, repletos de personagens, espaços e acontecimentos que fazem pensarmos nas questões do nosso presente. Escravidão, racismo estrutural, condição dos povos indígenas e las muheres nas independências são alguns dos temas abordados pelo Almanaque.”

2. Independência: História e Historiografia – István Jancsó



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Foto: FAPESP/Editora Hucitec/Divulgação/Guia do Estudante

“Um clássico da historiografia, ou professor István Jancsó (USP) organizou um trabalho de peso. Contando com a contribuição de 27 historiadores especialistas, no assunto, o livro ‘Independência: história e historiografia’, de 2005, trata com profundidade e rigor acadêmico e historiográfico o processo de separação entre Brasil e Portugal. Mesmo sendo uma leitura mais densa, com discussões teóricas e conceituais, os artigos deste livro podem ser lidos separadamente de acordo com os interesses temáticos do leitor. Definitivamente, uma bibliografia que deveria estar presente nos currículos acadêmicos.”

3. Para outra independência: ou o federalismo pernambucano de 1817 a 1824 – Evaldo Cabral



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Foto: Editora 34/Divulgação / Guia do Aluno

“Publicado em 2004, ou professor Evaldo Cabral de Melo Apresenta o livro intitulado ‘A outra Independência: o federalismo pernambuco de 1817 a 1824’. Um livro mais que necessário para problematizar os diferentes espaços e projetos políticos que culminarão na Independência do Brasil. Ao se aproximar do eixo Rio-São Paulo, o historiador pernambucano conta outra história: entre a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824, o livro apresenta outros projetos de Nação que vinham sendo desenvolvidos. Não se trata aqui da união ou separatismo das províncias do norte em relação ao Rio de Janeiro, mais do que de propostas disputadas: a construção de uma ordem constitucional baseada no poder centralizado no Imperador ou a possibilidade de dar maior autonomia ao governo local , estender a cidadania a um corpo político mais amplo e estabelecer a efetividade da cidadania nessas novas formas. O livro nos ensina que a construção do Estado Nacional foi disputada em vários locais, por diversos atores e protagonistas.”

4. Sequestro da Independência: uma história da construção do mito do 7 de setembro – Lilia Moritz Schwarcz, Lúcia Klück Stumpf e Carlos Lima Junior



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Foto: Companhia das Letras/Divulgação/Guia do Estudante

“Lançado este ano para as comemorações do bicentenário da Independência do Brasil, os pesquisadores Lília Moritz Schwarcz, Lúcia Klück Stumpf e Carlos Lima Júnior Discute-se a construção histórica do mito do 7 de setembro, problematizando as disputas narrativas em torno das idealizações de personagens e acontecimentos que constituem a memória e a identidade de nossa nação. A partir da análise iconográfica da pintura ‘Independência ou Morte’ (1888) de Pedro Américo, os historiadores apresentam as tensões históricas em torno da construção dessa obra que tem como objetivo fazer de São Paulo o centro da política nacional no final do séc. Século XIX e início do XX. Esse processo acabou inviabilizando outros agentes sociais e localidades em conflito em torno da Independência. Escolhi este trabalho porque permite analisar o processo de independência de outra documentação histórica com pinturas, gravuras, litografias, esculturas, produzidas ao longo do século XIX.”

5. Independência do Brasil – João Paulo Pimenta



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Foto: Editora Contexto/Divulgação/Guia do Estudante

“Também lançado em 2022, o livro ‘Independência do Brasil’ do professor João Paulo Pimenta (USP) é uma obra voltada para todos os públicos: especialistas ou não, o livro dá o tom da Independência como tema atual, polêmico e rico em possibilidades. O livro se propõe a construir um panorama do Brasil e do mundo na passagem do século XVIII para o século XIX, apresentando ideias, identidades coletivas e conflitos tanto na Europa quanto no mundo americano. Percorrendo importantes acontecimentos desse processo, na corte brasileira, são tratadas a revolução pernambucana e a revolução portuense com o objetivo de estabelecer conexões entre os acontecimentos. O trabalho também demonstra que o 7 de setembro não encerra o processo de independência, mas continua a construção do Estado Nacional com a elaboração da constituição e as bases da nossa identidade nacional.”

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