4 livros para conhecer o melhor ou o legado de Darcy Ribeiro

Antropólogo, escritor, educador, etimólogo e político. Darcy Ribeiro (1922-1997) sempre esteve dividido entre muitas causas e profissões. Tanto que uma das seções do Site da Fundação Darcy Ribeiro Chama-se “Peles de Darcy” e divide, por performances, a biografia do intelectual mineiro.

Falar da história da educação brasileira é revisitar as façanhas de Darcy, que sempre defendeu a educação pública, gratuita e de qualidade para todos. A implantação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, a convite do Anísio Teixeirabase para a criação da UnB (Universidade de Brasília), na década de 1960, antes de assumir o Ministério da Educação e Cultura e, logo depois, ser levado para o exílio, com o golpe militar de 1964.

Nesse período, por volta de 1975, Darcy tornou-se uma cidade latino-americana, escrevendo livros e reestruturando os programas de universidades no Uruguai, na Venezuela, no Chile e no Peru. Elaborou projetos para a Universidade do Terceiro Mundo (México) e para a Universidade de Ciências Humanas (Argélia).

Na década de 1980, coordena Cieps (Centros Integrados de Educação Pública) No Rio de Janeiro, foi-nos oferecido ensino público integral, com duração igual a uma jornada de trabalho em dois países e acesso a diversas atividades educativas para algumas das classes populares.

Na década de 1990, projetou-se na Universidade Norte Fluminense. Como senador, participou da elaboração do projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)aprovada em 1996, também denominada Lei Darcy Ribeiro.

Defensor das classes populares, Darcy sonha com um país mais justo e igualitário. Seu legado também inclui o Parque Indígena do Xingu, o Memorial da América Latina e o Sambódromo do Rio de Janeiro, que poderia ser usado como escola durante dois períodos do Carnaval.

Relembre, no vídeo a seguir, com a participação de Darcy Ribeiro no Programa Roda Viva, da TV Cultura.

Em entrevista com BBC Brasilou o escritor e tradutor Eric Nepomuceno, amigo de Darcy, também resume sua obra:

“Vou ao próprio Darcy invocar na árvore os três pontos cruciais de tudo o que ele fez, que moverão sua luta perene: educação para todos, salvar os povos indígenas e a floresta, reforma agrária. Criar uma sociedade com plena e palpável noção de seus direitos, distribuir conscientemente a necessária cidadania. Entenda, como defendia com clareza um de seus amigos, o escritor uruguaio Eduardo Galeano (As Veias Abertas da América Latina), que a história não pode se limitar a ser um patrimônio, ela deve ser construída.”

Para comemorar o centenário de seu nascimento, neste 26 de outubro, ou porvir Você selecionou quatro livros fundamentais para entender a obra de Darcy Ribeiro. Confirme:

Para a Universidade Necessária: Lançado em 1969, o livro é considerado referência para os estudos brasileiros ligados à educação.

O prefácio é de Anísio Teixeira, que escreve: “A Universidade Necessária, da qual Darcy Ribeiro nos traça o modelo teórico, é a universidade moderna, com sua estrutura e seus objetivos, mas sobretudo, as universidades de múltiplas e variadas culturas nacionais do mundo latino-americano, proposta de sua crítica e constante reformulação, supremo instrumento de reavaliação do esforço nacional, tanto no campo cultural como não no econômico, visando a integração social das respectivas populações, ou o vigor da o caráter nacional de cada uma das nações unidas é a riqueza de sua contribuição específica à civilização latino-americana”.

Nossa escola é uma calamidade: Neste livro de 1985, Darcy discute o modelo de baixa oferta das escolas públicas brasileiras. Ele explica os motivos da redução de dois compromissos públicos como a educação e a incapacidade de investir corretamente em educação gratuita e de qualidade. “Nossas escolas do passado queriam ser equivalentes às escolas públicas francesas, argentinas e norte-americanas, onde se generalizava concretamente o ideal de uma educação universal gratuita e obrigatória. Seu defeito era tão poucos. O defeito é que não conseguimos multiplicar o nível de qualidade que eles atingiram, quando são chamados a atender a população ampliada das cidades”, afirma.

E complementa: O fracasso da educação brasileira – nossa incapacidade de criar uma escola pública generalizável a todos, funcionando com um mínimo de eficiência – paralelamente à nossa incapacidade de organizar uma economia para que todos possam trabalhar e comer. Resta apenas acrescentar que essa deficiência é uma capacidade. É o talento assustadoramente coerente de uma classe dominante deformada, que condena ou seu poder ao atraso e à miséria de permanecer intocada por séculos, essa continuidade de sua dominação hegemônica.”

O Povo Brasileiro – a Formação e o Sentido do Brasil: Darcy disse que passou 30 anos escrevendo o livro e não poderia morrer sem vê-lo publicado. Tanto que, mesmo internado na UTI, tratado como paciente terminal, o hospital fugiu para a praia do Rio de Janeiro para finalizar a obra, lançada em 1995, que também viu documentário. No livro, ele lança a pergunta: “Por que o Brasil ainda não está certo?” e traça uma explicação histórico-antropológica de nosso mal-entendido.

Em dois trechos, Darcy a mata: “A mais aterradora de nossas heranças é esta de vestir, sempre sei a cicatriz do carrasco impressa na alma e pronta para explodir em brutalidade racista e classista. Ela é incandescente, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, servir e esmagar os pobres que caem em suas mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para contrariar as posses e criar aqui uma sociedade solidária”.

Educação como Prioridade: Lançado em 2018, o livro reúne artigos publicados por Darcy Ribeiro em livros, revistas e periódicos. Entre elas, o artigo “Fala aos moços”, publicado originalmente na revista Carta, produzido em seu mandato de senador, em 1994. Desse texto, veja uma de suas frases mais conhecidas:

“Sou um homem de causas. Sempre vivi rezando e lutando, como um cruzado, pelas causas que gosto. São muitos, outros: a salvação dos índios, a escolarização dos filhos, a reforma agrária, ou o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, há mais fracassos do que vitórias nas minhas menos lutas, mas isso não importa. Horrível ficaria apavorado ao lado de dois que nos derrotariam nessas batalhas.”


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